Vícios construtivos: saiba como agir e exigir seus direitos
- Ricardo Fattori
- 4 de out. de 2025
- 3 min de leitura
O que são vícios construtivos?
Os vícios construtivos são defeitos na obra que comprometem a qualidade, a segurança ou o uso do imóvel. Eles podem surgir logo na entrega ou se manifestar ao longo do tempo. Segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), todo produto ou serviço deve atender ao fim para o qual se destina.

Quando o imóvel apresenta falhas que prejudicam sua utilização ou colocam em risco os moradores, estamos diante de um vício construtivo.
Exemplos comuns de vícios construtivos
Rachaduras em paredes e teto
Infiltrações em paredes, teto ou piso
Problemas elétricos e hidráulicos
Portas e janelas desalinhadas
Pisos ou revestimentos soltando
Falhas no escoamento da água em áreas externas
Esses problemas, além de comprometer a estética do imóvel, podem gerar riscos à segurança e altos custos de reparo.
Qual é a responsabilidade da construtora?
A construtora é responsável por garantir que o imóvel seja entregue em condições adequadas de uso e segurança. Essa obrigação está prevista no CDC e no Código Civil.
Prazos de garantia
90 dias para vícios aparentes em bens duráveis (art. 26, CDC).
5 anos para vícios que comprometam a solidez e a segurança da obra (art. 618, Código Civil).
Importante: mesmo após os prazos, se o problema for grave e comprometer a estrutura ou a segurança do imóvel, o consumidor ainda pode acionar a Justiça para exigir reparos.
Como agir ao identificar vícios construtivos
1. Registre todas as evidências
Tire fotos e vídeos dos defeitos.
Guarde notas fiscais, contratos e comunicações com a construtora.
2. Notifique formalmente a construtora
O ideal é enviar uma notificação extrajudicial com descrição dos problemas e pedido de reparo.
Utilize carta registrada com aviso de recebimento ou protocolo em cartório.
3. Acompanhe os prazos de resposta
Dê um prazo razoável para que a construtora se manifeste e proponha a solução.
4. Busque orientação jurídica
Se a construtora não responder ou se negar a reparar os defeitos, procure um advogado especializado em direito imobiliário ou o Procon.
5. Ação judicial, se necessário
A Justiça pode obrigar a construtora a:
Corrigir os vícios construtivos;
Reembolsar os valores gastos em reparos emergenciais;
Pagar indenização por danos morais e materiais, dependendo do caso.
Exemplos reais de vícios construtivos reconhecidos pela Justiça
Caso 1: Família comprou imóvel pelo Minha Casa Minha Vida e enfrentou infiltrações generalizadas após dois anos. A Justiça condenou a construtora a refazer a impermeabilização e a indenizar os moradores pelos danos sofridos.
Caso 2: Comprador recebeu um apartamento com rachaduras estruturais. Após perícia, ficou comprovado o risco à segurança. A construtora foi condenada a realizar as obras corretivas e indenizar o consumidor.
Esses exemplos mostram que a Justiça brasileira tem protegido o consumidor diante de falhas graves.
Direitos do consumidor em casos de vícios construtivos
Ao enfrentar esse problema, o consumidor tem direito a:
Reparação gratuita dos defeitos;
Troca ou abatimento no preço, em alguns casos específicos;
Indenização por danos materiais, quando há gastos comprovados com reparos;
Indenização por danos morais, quando os vícios afetam a dignidade, segurança ou saúde da família.
Dicas para prevenir problemas
Leia atentamente o contrato antes da compra.
Pesquise a reputação da construtora no mercado.
Faça uma vistoria detalhada no momento da entrega das chaves, registrando tudo em fotos e relatórios.
Guarde toda a documentação da obra e da compra, pois pode ser necessária em eventual processo.
Conclusão
Os vícios construtivos são mais comuns do que muitos consumidores imaginam. No entanto, quem compra um imóvel – seja pelo Minha Casa Minha Vida, por financiamento bancário ou direto com a construtora – não é obrigado a arcar com os custos de reparo de falhas na obra.
Conhecer seus direitos é o primeiro passo para agir corretamente. Ao identificar defeitos, registre, notifique a construtora e, se necessário, busque apoio jurídico. Assim, você garante que o sonho da casa própria não se transforme em dor de cabeça.


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